Eu odeio bar, mas adoro boteco.
O bar nada mais é do que o boteco sem alma, e que você precisa pagar para entrar.
É a versão prostituída do mais rico ambiente das relações humanas.
Eu sempre achei curioso o fato das pessoas ficarem numa fila, esperando para entrar em algum lugar. Porra, você pressupõe que aquele lugar tenha algo realmente especial, ainda que a música que se ouve do lado de fora contradiga essa idéia. Ok, talvez a música seja uma bosta, e não represente realmente as pessoas que estão tentando entrar naquele local, portanto a motivação deve ser outra. O difícil é observar um comportamento que parece ser antagônico à sua proposta.
Você paga uma grana para entrar em um lugar, que geralmente é bastante apertado e sem conforto, pois há muitas pessoas ali dentro, e os seres humanos gostam de se relacionar com outras pessoas. Mas será? O que é comum é você perceber que depois de pagar, se espremer e ficar meio desconfortável, o sujeito continua sem se relacionar com as pessoas. Quando muito, mantém um contato com as pessoas que entraram junto com ele, mas essa comunicação é sempre prejudicada, seja pelo som alto ou por alguma calça mágica, ou como ouvi uma dama recentemente dizer, pacote mágico, que surge em seu campo de visão.
Então é isso? Você paga para entrar num lugar cheio de gentes, mas não conversa com essas gentes. Até o cheiro das gentes é difícil de sentir.
O boteco é o contrário disso. Na segunda vez que você entra num boteco, alguém já vai te chamar pelo nome, e isso faz diferença. Se for boteco de bairro então, saberão da tua vida toda em uma tarde.
Faz também a diferença estar num ambiente onde as pessoas falam umas com as outras, não simplesmente porque querem pegar alguém. No boteco se faz amigos, ou inimigos, mas pelo menos o calor do contato está lá. Boteco tem Rolmops, tem salsicha em conserva, ovo azul, mesa de sinuca, sem falar na imensidão de figuras peculiares que você pode explorar. É um verdadeiro exercício de observação e interação com a nossa fauna.
Há sempre um bêbado crônico, que parece morar dentro do recinto, e o mais engraçado, parece sempre ser um completo imbecil. Ai o cara abre a boca, e você descobre que mais um gênio se afoga na aguardente. No bar, é bem mais fácil você encontra rum indiezinho, metido a super alternativo, que monta sua indumentária e corre para um lugar fechado, para não se comunicar com os outros que ali estão trancafiados. A honestidade das relações do boteco são sua maior vantagem.
E o melhor: você ainda pode pedir pro dono do boteco tirar aquela música detestável que está tocando, simplesmente com um "coloca isso aqui Gersão".
Curitiba tem bares demais e botecos de menos.
--
- Quando você me toca enlouqueço.
- E porque eu não percebo isso?
- ...
O bar nada mais é do que o boteco sem alma, e que você precisa pagar para entrar.
É a versão prostituída do mais rico ambiente das relações humanas.
Eu sempre achei curioso o fato das pessoas ficarem numa fila, esperando para entrar em algum lugar. Porra, você pressupõe que aquele lugar tenha algo realmente especial, ainda que a música que se ouve do lado de fora contradiga essa idéia. Ok, talvez a música seja uma bosta, e não represente realmente as pessoas que estão tentando entrar naquele local, portanto a motivação deve ser outra. O difícil é observar um comportamento que parece ser antagônico à sua proposta.
Você paga uma grana para entrar em um lugar, que geralmente é bastante apertado e sem conforto, pois há muitas pessoas ali dentro, e os seres humanos gostam de se relacionar com outras pessoas. Mas será? O que é comum é você perceber que depois de pagar, se espremer e ficar meio desconfortável, o sujeito continua sem se relacionar com as pessoas. Quando muito, mantém um contato com as pessoas que entraram junto com ele, mas essa comunicação é sempre prejudicada, seja pelo som alto ou por alguma calça mágica, ou como ouvi uma dama recentemente dizer, pacote mágico, que surge em seu campo de visão.
Então é isso? Você paga para entrar num lugar cheio de gentes, mas não conversa com essas gentes. Até o cheiro das gentes é difícil de sentir.
O boteco é o contrário disso. Na segunda vez que você entra num boteco, alguém já vai te chamar pelo nome, e isso faz diferença. Se for boteco de bairro então, saberão da tua vida toda em uma tarde.
Faz também a diferença estar num ambiente onde as pessoas falam umas com as outras, não simplesmente porque querem pegar alguém. No boteco se faz amigos, ou inimigos, mas pelo menos o calor do contato está lá. Boteco tem Rolmops, tem salsicha em conserva, ovo azul, mesa de sinuca, sem falar na imensidão de figuras peculiares que você pode explorar. É um verdadeiro exercício de observação e interação com a nossa fauna.
Há sempre um bêbado crônico, que parece morar dentro do recinto, e o mais engraçado, parece sempre ser um completo imbecil. Ai o cara abre a boca, e você descobre que mais um gênio se afoga na aguardente. No bar, é bem mais fácil você encontra rum indiezinho, metido a super alternativo, que monta sua indumentária e corre para um lugar fechado, para não se comunicar com os outros que ali estão trancafiados. A honestidade das relações do boteco são sua maior vantagem.
E o melhor: você ainda pode pedir pro dono do boteco tirar aquela música detestável que está tocando, simplesmente com um "coloca isso aqui Gersão".
Curitiba tem bares demais e botecos de menos.
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- Quando você me toca enlouqueço.
- E porque eu não percebo isso?
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7 bitucas:
Botecos sempre foram meu lugar predileto. O principio de conhece gente nos ditos bares é totalmente falho já que ninguém consegue falar nem ouvir ninguém, ninguém sabe dançar e todos ficam com cara de cu e pagando 6 reais num cerveja long neck na tentativa frustrada de ficar bebado e nem sequer passar perto disso. É mais uma maldita tensão do que uma diversão em si. Já nos botecos a possiblidade de você ter mais espaço para si é válida. Você pode ficar tão bebado quanto, pessoas mais interessantes se encontram lá já que não precisam se esconder atrás da escuridão, fumaça e música alta.
É o que penso.
sem contar que nos bares (principalmente os de curitiba que vivem com uma graande fila na entrada e que tocam coisas como Copacabosta Club) as pessoas geralmente quando conseguem finalmente conversar se esforçam o máximo para ser uma mais interessante que a outra e criam um estado de embriaguez para ser "descolado". e o bjetivo da maioria das pessoas que entra nesse tipo de lugar realmente é pegar alguém, o que já acaba por destruir os principios de amizade presente nos botecos.
já nos botecos a maioria das pessoas sabe que somos todos um bando de idiotas, e a conversa flui naturalmente, tal como a cerveja, o que acaba tornado-as verdadeiros profetas.
que tipo de grande gênio paga pra entrar em um lugar e pagar 6 reais em uma cerveja?
bela análise.
Ó, se fosse uma zona, até que 6 reais tava bem pago (:
Boteco Rula!
Mas eu chamo boteco de bar e bar de aquele negocio pra bundão. Porra sínica conversa e cerveja, é disso que é feita a vida... e claro truco na faculdade xD
Adoro boteco, conversas de boteco e filosofia de boteco!!!!
Cita alguns botecos bons velho, conheço poucos!!!
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