Ser cavalheiro nada mais é do que ser machista.
É detestável perceber como grande parte dos nossos conceitos, da nossa noção de certo e errado, de humor e diversão, estão arraigados nos mais podres modelos do machismo dominador e ignorante. Triste é perceber que esse machismo não se limita aos machos, e o fedor dos atos que não são pensados, das atitudes tomadas sem reflexão, parece contaminar o ar que todos respiramos.
Sempre pensei no cavalheirismo como uma defesa natural do machismo. Vamos misturar conceitos hediondos com boas maneiras, assim as mulheres podem se sentir confortáveis e elas mesmas podem ajudar a propagar a doença.
Puxe a cadeira, mas seja o alpha male, abra a porta do carro, mas seja o responsável pela conta do restaurante, assim a submissão da fêmea está garantida, e ela agradecerá por isso.
O sexismo abundante nos meios de comunicação, em proporções lamentáveis na internet, a forma vulgar como tratamos as pessoas no dia a dia, meros pedaços de carne para os quais olhamos, avaliamos e julgamos, simplesmente numa leitura tosca e comportamental, mostram como as bases que sustentam nosso pensamento primitivo são frágeis de argumento, mas fortes naquilo que sempre acaba subindo à superfície, a nossa nata: intolerância. E intolerância das nossas próprias criações, como um pai que vira a cara para um filho feio.
O episódia da "puta" da Uniban é a cereja no bolo podre da nossa sociedade faminta por justiça social deturpada. Uma jovem teve sua dignidade desfigurada por uma bando de pessoas que nada mais fazem do que incentivar o tipo de conduta que a menina tinha. Ela deu o que a sociedade pede, foi um grande pedaço de carne, exposto com pouco pano, agradável aos olhos. Agradável. Em tese.
O que se viu foi uma selvageria, promovida pelos mesmos cavalheiros e damas que mantém o sistema sexista e outdooriano de se viver, pois somos mobiliário urbano, carregamos no corpo a marca fúnebre de uma sociedade que não reflete, apenas reproduz comportamentos prontos, apenas dissemina o consumismo desenfreado, seja dos bens materiais, ou das noções patéticas de moral. Aqueles que ditam as regras também as quebram e cospem em sua imagem. Pastores que chutam santos, da própria igreja.
Num mundo onde se aceita o xixi no banho, como engodo de uma política que está urinando na selva amazônica, ou na catástrofe social que percebemos todo dia, não é difícil compreender como os valores são flexíveis. Talvez a maleabilidade das crenças, o vazio completo de valores, que se alteram ou se invertem dependendo do comodismo da situação, sejam indícios do colapso em que a nossa forma de vida se encontra.
Tudo é transitório, mas tudo deixa herança. A piada com negros já não tem tanta graça, virou uma coisa velada, mas ainda há os gays, os deficientes, os nordestinos, as putas. Tudo o que é diferente, seja naturalmente diferente, ou uma diferença criada por nós mesmos, pouco importa, deve ser inflado até o limite, para num momento crítico ser estourado e respingar o sangue no colo de todos.
O sangue a gente limpa, disfarçadamente com nossos lenços de cavalheiros, viramos a cara para a hemorragia negra que sai de nós, um sangue podre e fedido, que ignoramos e guardamos para lançar sobre alguém na próxima esquina.
Eu prefiro que me paguem uma bebida.
--
- Amaury, isso foi umas das coisas mais fortes da minha vida.
- ...
- Sério, eu nunca fiz amor assim...Amaury! Você tá dormindo?
- Quê...?
- Porra Amaury!
É detestável perceber como grande parte dos nossos conceitos, da nossa noção de certo e errado, de humor e diversão, estão arraigados nos mais podres modelos do machismo dominador e ignorante. Triste é perceber que esse machismo não se limita aos machos, e o fedor dos atos que não são pensados, das atitudes tomadas sem reflexão, parece contaminar o ar que todos respiramos.
Sempre pensei no cavalheirismo como uma defesa natural do machismo. Vamos misturar conceitos hediondos com boas maneiras, assim as mulheres podem se sentir confortáveis e elas mesmas podem ajudar a propagar a doença.
Puxe a cadeira, mas seja o alpha male, abra a porta do carro, mas seja o responsável pela conta do restaurante, assim a submissão da fêmea está garantida, e ela agradecerá por isso.
O sexismo abundante nos meios de comunicação, em proporções lamentáveis na internet, a forma vulgar como tratamos as pessoas no dia a dia, meros pedaços de carne para os quais olhamos, avaliamos e julgamos, simplesmente numa leitura tosca e comportamental, mostram como as bases que sustentam nosso pensamento primitivo são frágeis de argumento, mas fortes naquilo que sempre acaba subindo à superfície, a nossa nata: intolerância. E intolerância das nossas próprias criações, como um pai que vira a cara para um filho feio.
O episódia da "puta" da Uniban é a cereja no bolo podre da nossa sociedade faminta por justiça social deturpada. Uma jovem teve sua dignidade desfigurada por uma bando de pessoas que nada mais fazem do que incentivar o tipo de conduta que a menina tinha. Ela deu o que a sociedade pede, foi um grande pedaço de carne, exposto com pouco pano, agradável aos olhos. Agradável. Em tese.
O que se viu foi uma selvageria, promovida pelos mesmos cavalheiros e damas que mantém o sistema sexista e outdooriano de se viver, pois somos mobiliário urbano, carregamos no corpo a marca fúnebre de uma sociedade que não reflete, apenas reproduz comportamentos prontos, apenas dissemina o consumismo desenfreado, seja dos bens materiais, ou das noções patéticas de moral. Aqueles que ditam as regras também as quebram e cospem em sua imagem. Pastores que chutam santos, da própria igreja.
Num mundo onde se aceita o xixi no banho, como engodo de uma política que está urinando na selva amazônica, ou na catástrofe social que percebemos todo dia, não é difícil compreender como os valores são flexíveis. Talvez a maleabilidade das crenças, o vazio completo de valores, que se alteram ou se invertem dependendo do comodismo da situação, sejam indícios do colapso em que a nossa forma de vida se encontra.
Tudo é transitório, mas tudo deixa herança. A piada com negros já não tem tanta graça, virou uma coisa velada, mas ainda há os gays, os deficientes, os nordestinos, as putas. Tudo o que é diferente, seja naturalmente diferente, ou uma diferença criada por nós mesmos, pouco importa, deve ser inflado até o limite, para num momento crítico ser estourado e respingar o sangue no colo de todos.
O sangue a gente limpa, disfarçadamente com nossos lenços de cavalheiros, viramos a cara para a hemorragia negra que sai de nós, um sangue podre e fedido, que ignoramos e guardamos para lançar sobre alguém na próxima esquina.
Eu prefiro que me paguem uma bebida.
--
- Amaury, isso foi umas das coisas mais fortes da minha vida.
- ...
- Sério, eu nunca fiz amor assim...Amaury! Você tá dormindo?
- Quê...?
- Porra Amaury!

11 bitucas:
O que se viu foi uma selvageria, promovida pelos mesmos cavalheiros e damas que mantém o sistema sexista e outdooriano de se viver, pois somos mobiliário urbano, carregamos no corpo a marca fúnebre de uma sociedade que não reflete, apenas reproduz comportamentos prontos, apenas dissemina o consumismo desenfreado, seja dos bens materiais, ou das noções patéticas de moral. Aqueles que ditam as regras também as quebram e cospem em sua imagem. Pastores que chutam santos, da própria igreja.
Brilhante!
Foda bagarai
e wellcome back xD
Mas o cavalheirismo ainda é importante. Talvez não pagar a conta, mas as pequenas atitudes "cavalheirísticas" e educadas pra agradar as mulheres... Sim, a gente nunca vai querer abri mão disso por achar que é submissão.
[...]
Na ultima festa que eu fui, tinha um cara na portaria que não calculou direito o que consumiu e aí faltou dinheiro. Então, ao escutar, me ofereci pra pagar o que faltava. Em troca ele me deu uma carona de Chevete, auhauahua. Esse tipo de 'cavalheirismo', mesmo vindo de mulher - e aí eu não sei que termo usar - que vale a pena.
Xixi no banho não dá amigo.
Piadinhas preconceituosas, odeio. Um cara que morava comigo vivia fazendo piadinhas sobre negros, que ridículo isso, eu odiava. Ele é gay, talvez se ache no direito de 'retrucar' com mais preconceito as ofensas que lhe são remetidas. Que palhaçada.
Bonitão, ótimo texto.
Não, ser cavalheiro é ser educado e gentil, como você deveria ser com todo mundo. Cavalheirismo foi somente um nome dado às gentilezas do homem à mulher... e daí vemos, que a sociedade é tão machista, que as gentilezas feitas de uma mulher a um homem nem tem nome. Muitos tbm confundem os tais gestos como "quero copular com vc", e o preconceito é tão enorme, que gentilezas trocadas pelo mesmo sexo é sinal de homossexualismo.
Mas mesmo diante dessa crítica, eu adoro qndo vc me coloca pro lado de dentro da calçada, puxa minha cadeira pra eu sentar ou dê uma inclinadinha na moto pra eu poder subir de boa. Apesar de ser "machismo", eu sei que vc gosta de fazer isso, pq vc gosta de cuidar de mim.
Te amo palhaço!
Ah! E como nosso primeiro drink, foi você quem pagou, eu continuo aceitando a cordialidade do gesto ^^ huahuahuahuaua depois eu te pago :*
( NNNNNNNNNathália é o nome dela! Haha, clap, clap!)
Só um comentário: que bom que voltou!
Ninguém mais além de você diz "ouça Grand Funk e veja sua vida mudar", hahaha (:
Saudações!
:*
Wendell, teoria interessante!!! O que me incomoda também é o fato de que as mulheres são tratadas como pedaços ambulantes de carne, dentro e fora da mídia, e muitos consideram normal, natural. Grande abraço!!
Muito bom!
E concordando com a Nathália, uma pena que o cavalheirismo muitas vezes tenha o significado errado...
saudades de conversar com você, apareça!
The words that crawled... (:
Porra!
Não sabia que tinha voltado os posts. Tava sentindo falta dessa falta de papas na língua.
Repito o elogio de sempre, cara: ótimo blog.
Abraço.
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