quarta-feira, 29 de abril de 2009

Sobre futebol e bolinhas de gude

Sempre achei futebol uma atividade de gente imbecil. Pior que 22 idiotas perseguindo uma bola, são milhões de imbecis se matando por isso. Sempre me pareceu jogo bobo de criança, feito bolinha de gude. Será?

Sempre suspeitei das minhas convicções futebolísticas, afinal foi algo que eu mais ignorei do que observei.
A gota d'água acabou sendo o Marcão, que é um dos caras mais fudidos que já conheci. Recentemente ele escreveu um texto sobre a Portuguesa Santista, que me fez parar pra pensar.
Oras, se um monte de gente, como o Marcão ou meu pai, curtem tanto essa porra, bem, talvez haja algo mais nisso. Parece que justamente as pessoas mais do caralho são as que mais se empolgam com isso. Eu decidi procurar.

Eu quero entender como as pessoas amam um esporte que é tratado com tanto relaxo no país que se diz "do futebol".
Como esses apaixonados toleram jogadores vadios, que caem quando o defensor chega perto, como toleram os dirigentes, lavando dinheiro ou simplesmente enfiando grana no cu, seja roubando ou deixando de perceber que futebol é um mercado que poderia gerar muito mais do que gera. Até nisso a gente se comporta como colônia, sempre exportanto matéria prima pra gringo encher o rabo de grana.

Como, com tanta incoerência, as pessoas continuam apaixonadas por esse esporte?

Como acabei de me mudar para o Brasil Curitiba, vou tocer pro Coxa, assim dou uma provocada no mei pai, que é paranista roxo.

Ninguém vai poder falar que eu não tentei.

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- O que foi Jorge?
- Nada.
- Como nada, nas cartas você dizia que só pensava em me beijar.
- É esse dente ai, faltando...

sábado, 25 de abril de 2009

Sobre as coisas de dividir

Todo mundo tem uma coisa que acha a mais legal, e é muito bom dividir isso com as outras pessoas.

Alguns acham que a seleção de 82 foi a melhor melhor coisas que a humanidade já viu. Outros acreditam que sejam as pernas da Cláudia Raia. Já escutei um cara dizer que ele gostaria de ter inventado a pimenta, pois na buchada ela é uma coisa de louco. Não posso discordar.
Alguns dizem que são os filhos, mas nesse caso é injusto, pois nem todos têm filhos, mas todos têm suas boas experiências pra dividir. E filho é bom pra caralho, não vale.
Eu penso nas impressões que cada um carrega.
Todo mundo tem a sua pérola.


Já pensou na tua?
A minha é o Led Zeppelin.

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- Silas, eu tenho algo muito importante pra te falar.
- Claro querida, deixa eu pegar um cigarro no quarto e a gente já conversa.
Quando Silas retornou, Giovana tinha tomado uma caixa de comprimidos.
Deixou ela ali, no chão, até parar de se mover.
Agora podia pescar.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Sobre algumas coisas que eu falo.

A gente sempre fala umas merdas não é mesmo? Retratar-se de algumas delas não tira pedaço.

Ainda é o Lamb of God.

Quando escrevi sobre a relação do cristianismo com a música pesada, especialmente o metalcore, acabei colocando a banda no pacote do estilo de forma injusta. É fácil observar uma suposta localização de um artista, especialmente quando coincide temporalmente com algum estilo, como é o caso da banda com o advento dos cores da vida.
Meu irmão acabou me dando a melhor resposta:

- Velho, o Lamb of God é o mais próximo que essa geração tem do que foi o Pantera pra nossa.

E não é? Quem até hoje consegue dizer que o Pantera tem um estilo, que você pode dar nome sem menosprezar uma série de atributos do som deles? Não rola.

Algumas bandas, ou pessoas, são simplesmente diferentes.
E estilos são uma merda, bem diferente de bigodes.

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- Mas como assim, eu mudei?
- Hoje você é diferente demais da pessoa que um dia conheci.
- Posso até ser, mas não virei puta.
- Douglas!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Sobre o que alguns têm coragem de chamar de jornalismo cultural

Olha só. Eu respeito muitos veículos de comunicação, que realmente fazem ótimos trabalhos no que diz respeito à cobertura de eventos culturais, tendências, referências, enfim, há muita gente boa escrevendo sobre cultura.

Então eu estou zapeando navegando, quando vejo essa chamada, precedida de um CULTURA em letras garrafais, apesar da tipografia porca, no ilustre jornal A Tarde Online:

Josi quer prótese de silicone antes de posar nua.

Ok. Eu confesso, acabei ali pois avistei uma bela foto de um pedação de carne. Eles sabem que a gente gosta de carne.

Desconsiderando o fato de eu não conhecer nenhuma Josi, muito menos estar interessado em como ela modifica seu corpo, afinal sou fã mesmo é de tatuagens, e nem sequer apreciar essas revistas de mulher pelada de hoje em dia, eu me perturbei foi com o tal "cultura" no topo.
Eu não costumo acompanhar os noticiários, então talvez eu não tenha tomado conhecimento a posse dessa nova Ministra da Cultura, mas minha falha é perdoável, não é? Imperdoável é esse fedor nojento de sensacionalismo em tudo que se vê nesse tipo de empresa jornal.
Toda cultura tem seu valor, mas cá entre nós, você se sente representado por ela? Nem eu.

Pelo menos agora eu sei que é a Josi.

Ó

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- Não, isso não é engraçado.

domingo, 12 de abril de 2009

Sobre a fotografia

Talvez seja mais sobre o meu relaxo com ela.

Eu estava conversando com a Nathalia sobre como a popularização da fotografia digital deu uma vulgarizada na arte, mas agora acho que eu fui bem estúpido nessa afirmação.

Chega a ser irritante a forma como esse início de século está sendo semelhante ao início do século passado. Estamos tão deslumbrados e pressionados pela tecnologia, que parece haver um sentimento de retorno nas pessoas, seja na hipocrisia ecopanfletária ou no campo abstrato e nebuloso das artes. A minha sensação, como observador, é de uma espécie de segunda onda da art nouveau, nesse caso velha. É um desejo louco de retorno à natureza, mas talvez seja impressão minha, carregada de desejo próprio, vai saber.
Sei que na fotografia acontece outro reprise. Estamos fascinados com a chance de registrar tudo em momento real, dividir com todo mundo tudo. E nesse processo de suposta liberdade de registro, estamos um pouco atrasados no critério do que será registrado, ou o que é realmente interessante para ser compartilhado com todos.

Será que a fotografia está banalizada? Bem, não mais do que sempre esteve. Pelo menos desde que a conheço.

A arte na fotografia parece repousar na tortura do observador em descobrir o que é intencional e o que é inevitável.



Me apaixonei de novo pela fotografia.

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- Você é minha cadelinha?
- Pô Jonas, pera lá.
- Hum?
- Cadelinha não, aí já é demais. Dá aqui minha blusa.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Sobre o céu hoje

Eu sempre falo mal da Baixada Santista. Eu não sou daqui, não me sinto bem vindo ou aconchegado, então todo o resto sempre parece ficar mais feio.

Estranho como o céu da Praia Grande tem se exibido de forma tão ridícula nas últimas semanas. Há pelo menos 15 dias eu tenho o prazer de olhar para um céu tão bonito, que dá vontade de fotografar e mostrar para aquelas pessoas que você mais gosta, sabe?

Hoje o céu amanheceu feio. Deve ser o outono que está vindo né?
Costumava ser a mais triste das estações, e a mais bela.
Gosto dessas contradições, mas só na natureza.

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- Augusto...
- Quê?
- Volta aqui Augusto, vou te falar uma coisa bonitinha...Guto!
- Já volto.
Você voltava? Nem ele.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Sobre o cordeiro de deus

Eu acho algo meio chato, isso de ficar indicando coisa, sabe?

Cada um tem o seu caminho, suas experiências que resultam no que a gente costuma chamar de gosto. Mas e quando você encontra algo que é tão bom, tão inspirador, você não quer mostrar pra todo mundo? Dava outra analogia aqui...cof.

Enfim, eu gosto gosto de dividir as coisas muito boas, e Lamb of God é uma coisa absurdamente boa. Eles são a coisa mais pesada que eu ouvi nos últimos anos, e não é por que eu só escuto southern rock. Senhores, a banda é pesada, tem letras bem escritas, é pesada, tem uma boa postura de palco, mesmo o vocalista tendo uma cara de pedreiro. É pesado, e não se vê muita banda pesada por aí.

Escute se quiser. (e se gostar de Slayer pra caralho)

terça-feira, 7 de abril de 2009

Sobre as tarde de domingo

Eu não sei se é a chuva, mas elas acabam virando segunda de manhã.
Eu não gosto das segundas de manhã, não mais.

sábado, 4 de abril de 2009

Sobre as tardes de sábado

É engraçado quando você resiste à cachaça e conversa com seus amigos no dia seguinte:

- E ae meu caro.
- Velho, ontem tive que ligar pros meus pais, pois eu não conseguia andar.
- Osso.
- Ainda me deixaram dormindo dentro do carro, no sol. Acordei com um alarme desgraçado.
- A cachaça fode a cabeça.
- Wendell, hoje eu estou derrotado. Tudo roda, minha alma pediu demissão.




Quer beber igual uma égua? Toma.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Sobre os LPs

Eu sempre pensei que a indústria fonográfica fosse reagir à expansão da informação livre que a internet sempre representou. Reagiu, mas sempre pareceu tão estúpida e lenta.

Eu já disse anteriormente que a música não necessita do suporte físico, afinal não é onde a música está que muda o nosso sentimento em relação a ela, mas é onde ela acaba parando que realmente importa. Quem escuta música com um pouco mais de interesse que o geral, acaba se colocando em labirintos enormes, nem sempre fáceis de sair ou prazerosos de percorrer, mas sempre válidos.

Agora, mudando o ponto de observação, podemos compreender o ato de ouvir música como uma cerimônia social, que a era digital desmontou. O que era um momento de reunião entre amigos tornou-se um isolamento social com seus fones de ouvidos que bloqueiam o mundo. Muros pendurados na orelha.
Não é óbvio pra indústria que talvez seja justamente esse resgate social, do culto da música, das rodas de discussão em volta de discos, que muitos precisam? Pelo jeito não.
O nosso desejo por vintage é uma característica forte, afinal somos carregados de um saudosismo que tenta se opor a esse monstro eletrônico que parece ter chegado para congelar as relações entre indivíduos.
Muitos de nós usam equipamentos eletrônicos para se comunicar, quase que o tempo todo. O olhar no olho, a riqueza da leitura corporal de uma pessoa, está sendo deixado de lado. Seja no telefone, no seu comunicador instantâneo, via blogs como esse, as pessoas não se sentem mais. Tudo virou uma projeção do que a gente conheceu como realidade.

Mas e meu filho? E o seu filho? Eu não vou estar o tempo todo do lado dele pra mostrar música como faço hoje em dia, no que meus curtos finais de semana com ele permitem. Como a gente vai permitir que uma geração cresça sem a empolgação de um dia correr para a casa do melhor amigo, com o coração na boca, a cara vermelha, e mostrar como quem mostra para um cego uma flor: - Consegui o Led Zeppelin I, em 180g, olha o cheiro!
Sabe, olho brilhando?

Ah! quem não vive isso não viveu a música.

Eu adoro me contradizer, mas nesse caso não se trata da posse, mas de todo o apreço por uma obra completa, coisa que o CD tirou um pouco. Nunca mais as fotos foram as mesmas, nunca mais o cuidado com o manejo foi o mesmo. Os encartes dos discos do Pink Floyd, ou suas capas absurdas feitas por Storm Thorgerson, viraram lembrança velha apenas?. O Long Play é a plataforma mais justa que a música já conheceu, e é aquela que mais justifica o preço absurdo que a indústria gosta de colocar no objeto. Ou você nega 50 reais por um LP do Grand Funk Railroad? Nem eu!

O ritual do vinil precisa salvar essa geração.

Nós não apenas queremos o vinil, mas precisamos dele.
No meio dessa coisa feia que é a música digital, não há suporte mais belo, qualificado e cheiroso que existe.

O vinil tem um cheiro bom.

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- Pai?
- Sim querido.
- Como pode sair um ovo desse tamanho do coelhinho?
- Olha filho, nesse mundo o estranho não é o que sai das pessoas...
- Quê?
- O coelho é bem grandão meu amorzinho.