sábado, 30 de maio de 2009

Sobre bandas que andam junto

Há algum tempo, coisa de um ano atrás, eu e meu amigo Urso decidimos fazer uma incursão ao misterioso Jardim Botânico de Santos. A empreitada era motivada pela exposição de ilustrações do DaCosta*, com defesas do Marcão.

Na volta comecei a fuçar o carro dele. Já que não tinha cabo para ligar o ipod no som, procurei por cds. Como você pode imaginar, só achei albuns obscuros de bandas de jazz experimental. Tentei uma delas.

O desconforto de quem escuta música experimental, especialmente instrumental, só é aliviado quando se tem uma ótima noção técnica da música, portanto não é agradável a todos. A mim é insuportável, mas essa banda tinha alguma coisa diferente. Foi quando o Daniel lançou a seguinte:

"Cara, como essa banda anda junto!"

Dei risada e perguntei se esse não era o propósito de qualquer banda, andar junto. Pela cara dele eu percebi que ele me achou um completo débil mental, e nem fez muita questão de argumentar comigo. Eu era um cego esperando uma definição de cores.

Depois disso fiquei perturbado, e comecei a perceber que realmente há bandas que andam junto, e outras que apenas habitam um espaço próximo.
Talvez isso acabe sendo chamado de feeling por aí, mas feeling pra mim não se resume a isso. Isso é andar junto, e quando uma banda anda junto ela toca com prazer; quando ela toca com prazer você sente prazer, e quando a gente sente prazer ouvindo música a gente quer cantar.

E cantar é bom pra caralho!

Quantas bandas você escuta que realmente te fazem cantar? Berrar desafinado e sem vergonha?
O Grand Funk Railroad me ensinou isso recentemente.
É engraçado descobrir coisas novas onde você achava saber tudo.

*"Pixels galera, pixels muito loucos!"
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PS. A partir de agora eu vou apenas escrever sobre música nesse blog. Eu dividi muitas experiências com várias pessoas aqui, mas acho que muita coisa não cabe mais nessas palavras, e eu gostaria de ter um espaço onde eu possa discutir música, de forma séria. Portanto eu encorajo as opiniões, sejam convergentes ou divergentes das minhas, desde que não sejam neutras.
Os rodapés continuam (:

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- Mas como eu posso confiar em você Júlio? Teu futebol de quarta tem cheiro de buceta. O tênis de sábado fede a perfume de puta.
- Eu não joguei tênis sábado, visitei minha mãe!
- Aquela vaca...

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Sobre cigarros

Quem não fuma costuma ter aquela idéia estúpida de que cigarro é tudo igual, que somos um bando de imbecis que "engolem" fumaça.

Como você vai questionar tal afirmação? Cada um sabe as limitações do seu paladar.
É como o sujeito que está acostumado a beber as cidras da vida, quando se depara com o champagne verdadeiro acha que aquilo tem gosto de vinagre.

Eu fumei Malboro vermelho por 13 anos, simplesmente por que meu paladar se apaixonou completamente pelo sabor encorpado, caramelado, que só consegui encontrar no cigarro de cowboy.
Acontece que quem fuma cigarro é bem parecido com quem fuma pedra, você começa fumando alguns, mas em pouco tempo só se satisfaz com muito.
Eu estava fumando uns 50 cigarros por dia, e comecei a ficar preocupado com o efeito desses pirulitos de câncer em mim.

Eu odeio atividades físicas, então o meu fôlego nunca foi preocupação, mas comecei a perceber que meu pulmão estava expurgando.
Fumar menos é uma ilusão, então eu precisava mudar a minha forma de fumar, ou o que eu fumava. Pensei em começar a fumar pedra, mas seria trocar seis por meia dúzia, e afinal, eu ainda tenho laços afetivos com meus dentes e neurônios.
A Nathalia vinha me provocando constantemente, fazendo propaganda dos seus cigarrinhos feitos com fumo fresco, enrolados a mão. Cedi à tentação, especialmente depois que eu senti o aroma do Bressan.
Não que eu não adorasse o cheiro do Marlboro, mas depois que dei uma fungada dentro daquele pacote de tabaco, eu simplesmente fiquei retardado. Os 50 cigarros se transformaram em 5, e ter que enrolá-los manualmente acabou se tornando uma espécie de terapia. Ainda que as pessoas fiquem olhando pra mim, com aquela cara de "aff, esses maconheiro".

Eu nunca acreditei na renovação da paixão.
Acho que eu estava beijando os lábios errados.

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- Viu a nova mulher do Amilto?
- Aquela feiosa?
- Sim, quanto será que ela cobra pra assombrar uma casa de dois quartos?

terça-feira, 19 de maio de 2009

Sobre piadas internas

Adoro piadas internas por duas razões simples: elas são engraçadas e exclusivas.

Pode parecer papo de idiota, mas eu adoro assuntos que excluem. Não pela natureza segregatória deles, mas pela obrigação de comprometimento do interlocutor. Se você entendeu a piada, provavelmente me conhece um pouco melhor que a maioria, e isso faz muita diferença.
É claro que a piadinha interna sempre carrega o perigo tradicional que encontramos no sarcasmo, ou seja, se você der o azar de não ser entendido, vai passar por completo idiota.

Estranho é que a maioria das pessoas nunca perceba isso. Na verdade as pessoas costumam ignorar o fato de que tudo que somos é o resultado minucioso de cada experiência vivida, e isso se demonstra na complexidade da personalidade de cada um.
Entender as pessoas dá trabalho, e é justamente esse trabalho que todos evitam. Estranho isso de ignorar os acontecimentos como chances de se espremer um pouco melhor a pessoa, tirar as coisas mais lá do fundo. Conversa fácil cansa, gente fácil cansa.
Eu gosto de dúvida, insegurança e um pouco de neblina.

Talvez a piada interna seja uma forma simples de unir as nossas experiências.
Ou coisa de nego cuzão que adora ficar tirando os outros das conversas.

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- Lurde, me alcança o sal.
- Você não manda em mim, seu babaca.
- Também te amo. O sal?
- Tó.

domingo, 10 de maio de 2009

Sobre minha relação com o Sol

Eu sempre odiei o maldito Sol.

Meu ódio sempre partiu da incompatibilidade da minha pele e dos meus olhos, ambos de polaco, com a força do Sol tropical. Sabe quando parece que você está no lugar errado? Sempre me senti meio gato, pois só vejo direito no escuro.

Eu fui pra Morretes esse final de semana, crente que ia dormir todo dia até as 14h, afinal eu tava morrendo de sono, podrão duma semana corrida. Não pude dizer que não dormi pra caralho, mas acordei todo dia 6:30.
Quem já pegou uma câmera fotográfica na mão sabe que a luz da manhã é especial. Fiz um café amargo, peguei o cigarro e fui andar. Fotografei bastante, mas o Sol ainda estava bocejando, oferecendo um background sutil para a neblina. Cansei. Sei que não agüento andar, mérito de fumante, então eu vou até a metade do meu fôlego e volto.

Quando eu olho para trás, quase me cago.

Não interessa a que escola de arte você pertença, ou pelo menos admire, a Natureza é a base da inspiração de qualquer ser humano, ainda que seja a própria existência do artista e seus conflitos internos. Ele é, inegavelmente, uma parte dessa Natureza deslumbrante.
Mas o Sol está sempre lá, me fodendo os olhos.

Quando eu olho para trás, e sinto que não me caguei, eu percebi que talvez pela primeira vez na minha vida, o Sol quis fazer amizade. Eu nem tive coragem de fotografá-lo em alguns momentos, pois eu olhava para os lados, e cada sítio e chácara parecia dormir, não havia um mosquito na estrada. Eu até vi uma aranha dormindo, e ela tava encolhidinha. Pensava que elas nem dormiam.
Estou sozinho com um Sol ridículo na minha frente, se eu acreditasse em estupidez metafísica, eu diria que foi um presente, ou seria literal quando falei da amizade. Mesmo assim, em alguns momentos eu abaixei a lente e fiquei com aquilo só pra mim. Vi até a capa de um disco do Joy Wants Eternity, talvez a mais fantástica banda de post-rock que já ouvi. O disco se chama You Who Pretend to Sleep. A propósito, se alguém souber a autoria dessa capa, me diga, pois eu quero ter uma pessoa pra direcionar a admiração que eu tenho. É a mais linda capa de disco já feita pelo homem.

O Sol jogou na minha cara que eu só sou apaixonado por arte por mérito dele. Olhando duma forma bem básica ele é a fonte de luz essencial, nunca simulada pela nossa forma artificial de fazer luz, com essas lâmpadas bizarras, mas que não me fodem o olho, de fato.

Eu vou continuar odiando o Sol, mas ele agora é bem vindo.
Se não fosse ele viria do mesmo jeito.

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- Rute!
- Que foi loca do céu?
- O Rodrigo morreu...
- Já tava na hora dessa desgraça sair da tua vida. Vamo na manicure comigo?
-Será que eu consigo um horário pra mim? Minha cutícula ta horrível.